“Chegar ao fundo do osso” revela nossa contemporaneidade

*  Por Fernando Andrade

Se o osso estivesse no meio do caminho, apenas um objeto duro e inanimado, não seria um cemitério de ossos, seria o osso duro de roer que nem os ratos o fariam. Nesta avenida chamada Brasil, cada um porta seu osso de ofício para ir do caminho ao trabalho, para fugir do espelho que dobra cada ruga mais dormida do cansaço da vida laboral. Mas o poema podemos dizer que não é uma boa imagem para a localização de quem porta nos bolsos pedras-ironias para jogá-las aos porcos.O poeta é um militante e não faz coletivos para fazer isto de pedagogia do oprimido. Poeta pratica uma dor elegante com outro poeta curitibano, sabe que sentenças não cabem num verso, apenas em petições.

Diego Ruas nos trova a dor mais elegante e a  canção gesta inconformismo, rebeldia, e muitos cigarros à beira do precipício.

No seu novo livro “Chegar ao fundo do osso”, pela editora Penalux, o autor passa a fase especular e atravessa o corpo para imergir dentro dele tanto da palavra como da imagem da carne, metáforas e desumanidades. Passa por um lugar tão elástico quanto uma enorme lauda para escrever: a pele. Chega ao osso este espaço entre os órgãos, esqueleto de sustentação ao bípede, ao mundo caminhante.

Diego fez um belo trabalho sobre o que nos torna dentro da selva do homem, mais humanos e  coletivos.     

Clique na imagem para acessar a vitrine do livro

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

Acima ↑