Na década de 70, tivemos a canção de protesto, guitarras sendo quebradas em pleno show-ditadura. Neste modesto 2026, leio inúmeros poemas nada clandestinos, manifestos em som e tom inconformista. Alegria ferina, dedo na ferida, o joio separado do trigo, mas a semente não deu para florir no jardim. “Boa moça” (Litteralux) é uma obra que não vai cogitar,... Continuar Lendo →
Com linguagem pulsional, “Limbo”, novo livro de Sebastião Ribeiro, poetisa emoções voláteis sobre vida terrena
Não, isto não é uma orelha. Não há explicação! Há, sim, um rumor delineando a linguagem fugidia, mas com pulsões subliminares. Mas negaremos recorrer à análise semântica deste livro pulsional, que corre, corre, corre, pelos instintos mais primários. Talvez medo, fuga, mas não de forma covarde, como se fossem linhas de fuga, territórios não vazados pela dicção do arrependimento. Este pulso ainda pulsa, mesmo na leitura viciante, desta... Continuar Lendo →
“Em busca de Madalena Santos Reinbolt”, de Nélio Silzantov: Romance cria tessitura afetiva de mulher que bordou a vida como uma pintura sobre pertencimento
Há que ter paciência para passar a linha no tear ponto por ponto para elaborar uma obra de arte. Se a vida também é feita de linhas resolvidas, ou não, de acordo com ponto-pessoa na colocação da tapeçaria do destino de cada um. No romance do escritor Nelio Silzantov, “Em busca de Madalena Santos Reinbolt”... Continuar Lendo →
O romance da escritora Wanise relata luto e dor de forma surpreendente e criativa
O tempo da vida é um fluxo contínuo, mas há duas aberturas nele: o passado e o futuro — um devir: e já é aqui. Na ficção, porém, podemos ter um tempo desconstruindo pela ilógica as sequências dos fatos. Um tempo fragmentando em posições temporais que não se ligam em cronologias de minutos, horas. Um... Continuar Lendo →
“Todo o resto é poesia”: em alto e bom som, uma obra que concilia tango e samba entre um brasileiro e uma argentina
Gastar saliva, gostar da língua, navegar noutra pátria. Brasil e Argentina. Diabruras do futebol, paixões literárias por Borges e Julio Cortázar. Levar um pombo-correio para una hermana com uma carta — “te conheci num estádio de futebol entre times daqui e daí”. A língua não fere rasuras de amor, porque fissuras sobre outra chica, outra... Continuar Lendo →
Breve entrevista com o escritor Theo G. Alves – por Fernando Andrade
Fernando Andrade: Nas duas narrativas do seu livro, a palavra geografia denota um sentido espacial, mas sua linguagem se envereda por uma poética da solidão. Uma voz cética nas duas personagens sobre o mundo ou universo social (na segunda, mais). Queria que você me falasse mais sobre a questão do abandono em sua obra. Theo G. Alves:... Continuar Lendo →
“Esse gato não é meu”: livro encanta seus leitores com seu charme felino
O poema abana a cauda, alisa os bigodes, mia nos versos mais musicais. O poema está para entrelinhas assim como felino está para sua liberdade. Ambos parecem paradoxais, o poema tem lá sua voz, escuta de quem o lê. O gato silencia sílabas misteriosas, desaparece quando alguém o vê. Fiquei muito curioso com "Esse gato... Continuar Lendo →
O ANONIMATO DOS PERSONAGENS EM “VIDAS SEM NOME”- por Luiz Otávio Oliani
“Vidas sem nome” (Editora Litteralux, 2025) é o quinto livro de prosa de Wilson Gorj, romancista, contista e editor já com lastro no meio literário. O volume de contos possui uma característica latente já no título, pois existe um anonimato dos personagens. Pouco importa os nomes que possuem, mas sim as histórias, os causos e... Continuar Lendo →
“A sombra da agulha” metaforiza a arte da escrita em ponto e fuga ou não na cicatrização da ferida.
Como uma ferida aberta aqui podemos figura-la metáfora, a vida nos expõe à isto. A agulha tenta fechá-la com linhas de escrita. Mas a escrita também suporta a dor, às vezes ela é o cerne da dor. O Inapetente não sente pena da sua ferida, pois não tem desejo para cicatrizar seu ego. Em novo... Continuar Lendo →
Autor indicado ao Jabuti lança coletânea de crônicas mordazes sobre temas que marcaram a primeira metade da década
Ao começar a ler uma crônica de André Cunha, é provável que o leitor se surpreenda com o ponto de partida. O texto tanto pode se apresentar na forma convencional, como uma conversa com o leitor ou um diálogo inspirado numa cena do cotidiano, quanto assumir um gênero improvável: peça jurídica, letra de música, trailer... Continuar Lendo →