Em seus ótimos livros, a escrita de Cleber Pacheco vem carregada de alta simbologia religiosa. A cada obra ele aprimora o estilo e, sobretudo, a versão do que eu chamo de liturgia da santidade. Em “Trilogia da Transfiguração”, seu novo livro publicado pela Litteralux, a parábola vem travestida de transgressão do conservadorismo do ato da sacristia... Continuar Lendo →
“Sinto muito pelos quero-queros”, romance de estreia da autora Rafaela Dilly Kich, nos abre as janelas do coração para uma história transformadora
O nascimento da escrita tem início quando a pulsão sexual se ativa no corpo de alguém. Não se trata de roteiro de quem escreve isto ou aquilo, mas de inconformidade diante do mais íntimo sentimento. A escrita é um labor de si, um trabalho manual com suas partes mais inacessíveis e pudendas. Quando nos aproximamos do diário escrito, a linguagem... Continuar Lendo →
“Inventário de um silêncio” cria narrativa histórica entre lados opostos, um fluxo de consciência política entre esquerda e direita
O tempo não volta mais. Não podemos corrigi-lo. Se lembrarmos da nossa ditadura onde presos políticos foram torturados e mortos, pensar nisso pode ser bem controverso. A despeito dessa herança histórica, no presente temos que lidar com governos de extrema direita, a nível mundial, assumindo países com tradições democráticas. No romance “Inventário de um silêncio” (Litteralux/Selo Auroras, 2026), da... Continuar Lendo →
“Gestos do nada”, livro que enaltece o processo criativo da palavra em signos poéticos
Certa vez, um poeta me perguntou o que eu fazia naquele momento. Eu fiz uma ação: nada. Estava escrevendo sobre o ato de criar (a palavra branca me parece uma página virgem). Estava pronto a nadificar meu discurso criativo. Ao ler o novo livro de Geovane Fernandes Monteiro, Gestos do nada (Litteralux,2026) — uma delícia de paradoxo poético — ... Continuar Lendo →
“Boa moça” traz poemas que são um manifesto inconformista à doutrina nada católica do puro on-the-rocks (masculino)
Na década de 70, tivemos a canção de protesto, guitarras sendo quebradas em pleno show-ditadura. Neste modesto 2026, leio inúmeros poemas nada clandestinos, manifestos em som e tom inconformista. Alegria ferina, dedo na ferida, o joio separado do trigo, mas a semente não deu para florir no jardim. “Boa moça” (Litteralux) é uma obra que não vai cogitar,... Continuar Lendo →
Com linguagem pulsional, “Limbo”, novo livro de Sebastião Ribeiro, poetisa emoções voláteis sobre vida terrena
Não, isto não é uma orelha. Não há explicação! Há, sim, um rumor delineando a linguagem fugidia, mas com pulsões subliminares. Mas negaremos recorrer à análise semântica deste livro pulsional, que corre, corre, corre, pelos instintos mais primários. Talvez medo, fuga, mas não de forma covarde, como se fossem linhas de fuga, territórios não vazados pela dicção do arrependimento. Este pulso ainda pulsa, mesmo na leitura viciante, desta... Continuar Lendo →
“Em busca de Madalena Santos Reinbolt”, de Nélio Silzantov: Romance cria tessitura afetiva de mulher que bordou a vida como uma pintura sobre pertencimento
Há que ter paciência para passar a linha no tear ponto por ponto para elaborar uma obra de arte. Se a vida também é feita de linhas resolvidas, ou não, de acordo com ponto-pessoa na colocação da tapeçaria do destino de cada um. No romance do escritor Nelio Silzantov, “Em busca de Madalena Santos Reinbolt”... Continuar Lendo →
O romance da escritora Wanise relata luto e dor de forma surpreendente e criativa
O tempo da vida é um fluxo contínuo, mas há duas aberturas nele: o passado e o futuro — um devir: e já é aqui. Na ficção, porém, podemos ter um tempo desconstruindo pela ilógica as sequências dos fatos. Um tempo fragmentando em posições temporais que não se ligam em cronologias de minutos, horas. Um... Continuar Lendo →
O ANONIMATO DOS PERSONAGENS EM “VIDAS SEM NOME”- por Luiz Otávio Oliani
“Vidas sem nome” (Editora Litteralux, 2025) é o quinto livro de prosa de Wilson Gorj, romancista, contista e editor já com lastro no meio literário. O volume de contos possui uma característica latente já no título, pois existe um anonimato dos personagens. Pouco importa os nomes que possuem, mas sim as histórias, os causos e... Continuar Lendo →
VIDAS SEM NOME – POR JOSÉ EDUARDO DEGRAZIA
O livro de contos breves e minicontos Vidas Sem Nome não tem, coerentemente com seus personagens, nome do autor na capa. Mas eu entregarei o nome do escritor, Wilson Gorj! Autor que tem criado um universo particular na narrativa breve, com muito trabalho e talento. Dele diz, na orelha do livro, o também escritor de... Continuar Lendo →