A medida da palavra não cabe medida. A palavra cedida ao conto é de uso restrito ao criativo e original. Se você quer usar uma luva de boxe, deixe-a pronta para o nocaute — o nocaute das palavras apronta para dar ares de surpresa. Os minicontos de “Retratos” (Litteralux, 2026), do escritor jjLeandro, movimentam-se não a... Continuar Lendo →
“O coração é desses pormenores”, romance da autora Ana Paula Moreira, agita o coração do leitor com líricas leves e travo agridoce de exílio e solidão
Há um jeito de amainar a quietude de um coração, acelerado pela vida corrida. Vida ruidosa, na malha do serviço doméstico. Silvia e sua filha Lúcia são passageiras de um futuro cujo exílio dança com a própria solidão em compassos de espera. O romance da autora Ana Paula Moreira, “O coração é desses pormenores” (Selo Auroras, ed. Litteralux, 2026), faz da... Continuar Lendo →
“Ilusões em tramitação” traz contos que apelam ao absurdo kafkiano para revelar a burocracia em um serviço público
Uma resenha não deve competir com um cartão de pontos, onde há faltas e presenças. Num conto se vence por nocaute. O final do expediente — seja no conto, seja no serviço público — deve evitar desperdícios. Os entraves afastam o leitor do conto e assustam o servidor público que se vê emaranhado nas teias de uma rotina burocrática. No... Continuar Lendo →
“Ensaio de um poeta delirante”, um livro de poemas que exprime a métrica e a rima em boa dose de MPB cancioneira
O devaneio pode ser uma válvula de escape para o real estrangulador. Poemas costumam garrotear as asfixias do desejo de correr atrás do sopro, da quina da vontade. No livro “Ensaio de um poeta delirante”(Litteralux, 2026), do autor Fernando Schimidt, a voz do poeta delira vozes e trovas, para um futuro promissor, onde cada ida ou ideia, parece... Continuar Lendo →
“Não volte para casa”, um suspense atroz sobre o desamparo psíquico de uma família classe-média
A mente inquieta pode projetar ruminações psíquicas. O lugar onde moramos também é nosso chão mental, nossa deambulação paranoica. Nossa moral depende de nossas funções cerebrais. Somos reagentes do meio que coabitamos. Não só: também reagimos a nossos medos, receios e angústias. No romance “Não volte para casa” (Litteralux, 2026), Daniel Adjafre constrói habilmente a desumanização de uma família em desintegração psíquica. Com... Continuar Lendo →
Um livro em três: nova obra de Cleber Pacheco compila três ficções que revivam a importância do sagrado e da linguagem poética
Em seus ótimos livros, a escrita de Cleber Pacheco vem carregada de alta simbologia religiosa. A cada obra ele aprimora o estilo e, sobretudo, a versão do que eu chamo de liturgia da santidade. Em “Trilogia da Transfiguração”, seu novo livro publicado pela Litteralux, a parábola vem travestida de transgressão do conservadorismo do ato da sacristia... Continuar Lendo →
“Sinto muito pelos quero-queros”, romance de estreia da autora Rafaela Dilly Kich, nos abre as janelas do coração para uma história transformadora
O nascimento da escrita tem início quando a pulsão sexual se ativa no corpo de alguém. Não se trata de roteiro de quem escreve isto ou aquilo, mas de inconformidade diante do mais íntimo sentimento. A escrita é um labor de si, um trabalho manual com suas partes mais inacessíveis e pudendas. Quando nos aproximamos do diário escrito, a linguagem... Continuar Lendo →
“Inventário de um silêncio” cria narrativa histórica entre lados opostos, um fluxo de consciência política entre esquerda e direita
O tempo não volta mais. Não podemos corrigi-lo. Se lembrarmos da nossa ditadura onde presos políticos foram torturados e mortos, pensar nisso pode ser bem controverso. A despeito dessa herança histórica, no presente temos que lidar com governos de extrema direita, a nível mundial, assumindo países com tradições democráticas. No romance “Inventário de um silêncio” (Litteralux/Selo Auroras, 2026), da... Continuar Lendo →
“Gestos do nada”, livro que enaltece o processo criativo da palavra em signos poéticos
Certa vez, um poeta me perguntou o que eu fazia naquele momento. Eu fiz uma ação: nada. Estava escrevendo sobre o ato de criar (a palavra branca me parece uma página virgem). Estava pronto a nadificar meu discurso criativo. Ao ler o novo livro de Geovane Fernandes Monteiro, Gestos do nada (Litteralux,2026) — uma delícia de paradoxo poético — ... Continuar Lendo →
“Boa moça” traz poemas que são um manifesto inconformista à doutrina nada católica do puro on-the-rocks (masculino)
Na década de 70, tivemos a canção de protesto, guitarras sendo quebradas em pleno show-ditadura. Neste modesto 2026, leio inúmeros poemas nada clandestinos, manifestos em som e tom inconformista. Alegria ferina, dedo na ferida, o joio separado do trigo, mas a semente não deu para florir no jardim. “Boa moça” (Litteralux) é uma obra que não vai cogitar,... Continuar Lendo →