O livro de contos breves e minicontos Vidas Sem Nome não tem, coerentemente com seus personagens, nome do autor na capa. Mas eu entregarei o nome do escritor, Wilson Gorj! Autor que tem criado um universo particular na narrativa breve, com muito trabalho e talento.
Dele diz, na orelha do livro, o também escritor de contos e de minicontos magistrais, Mário Baggio: “Gorj pertence a essa linhagem de escritores que, conhecendo e dominando os mecanismos do gênero, consegue condensar a diversidade do mundo utilizando o mínimo de palavras. A aparente simplicidade dos textos esconde uma arquitetura sofisticada em que cada palavra tem seu lugar e importância; as que não importam são cortadas, sem prejuízo algum para a história que se quer contar.”

No conto que abre o livro temos o sentido profundo das narrativas enfeixadas no livro e com adequação total ao título: “Vidas sem nome”. Um sofá acompanha a trajetória de uma família que vê seus membros desaparecerem, só ficando nas fotografias feitas ao longo dos anos. Mesmo que na última fique só na memória virtual da máquina: “Também haverão de achar estranho que alguém queira imprimir a fotografia de um sofá tão velho…e vazio”. (p.12).
São minicontos de síntese aguçada e clareza de estilo. Domínio formal da narrativa breve e da estrutura característica do gênero. O autor aguça o olhar sobre as mazelas humanas, os pequenos sofrimentos que desapareceram para sempre não fosse o olhar, a fotografia feita pelo escritor desejando perpetuar um pouco que seja das nossas vidas incompletas e passageiras.
A fotografia serve como metáfora tanto das vidas opacas que a ficção retrata, como do próprio miniconto: um instante de vida que se apaga, mas permanece à espera da revelação de algum fotógrafo ou de um minicontista.
Resenha de José Eduardo Degrazia, escritor
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