Wilson Gorj é uma combinação de escritor e editor. Toca já há anos a casa independente Litteralux em Guaratinguetá, interior de São Paulo.
Gorj lançou o livro “Vidas sem nome”, um conjunto de 58 minicontos, gênero do qual é persistente e exímio praticante. Gorj é também romancista.
O miniconto diz muito com muito pouco. O exemplo mais extremo pertence ao guatemalteco Augusto Monterroso, que radicalizou essa proposta estética ao escrever “O dinossauro”, tido como o menor conto do mundo. Ocupa uma única linha.
Os minicontos de Gorj, que por sinal homenageia Monterroso num deles, têm em sua maioria uma página, ou nem tanto. É leitura vapt-vupt, que cobre uma incrível miscelânea temática explorando situações absurdas, fantásticas, inusitadas e cômicas em torno de gente comum, sem direção.

Raros são os minicontos que trombeteiam o discurso mais político do contemporâneo. E, quando o fazem, soltam as rédeas do delírio. Gorj se empenha em injetar fantasia no que escreve. O realismo cede lugar a outros voos engendrados no puramente literário. As formas são breves, mas a imaginação é longa.
Ler os minicontos é como embarcar num carrossel de espantos sucessivos. Comento minimamente três deles.
“O sofá” preenche um pouco mais de um página, porém, em sua concisão exemplar, conta uma saga familiar por meio das fotos de um sofá que atravessou gerações.
Em “Pedalando pelas ruas da memória”, um avô montado numa bicicleta conduz seu pequeno neto pela paisagem de sua infância. O miniconto é uma pequena joia delicada.
Fechando o volume, temos “Conceição”, a história de um homem que se vê de uma hora para outra tomado por uma voz que não a sua.
Para quem aprecia o gênero miniconto, “Vidas sem nome” é uma agradável surpresa.
Resenha de Paulo Lima, escritor
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