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  • “A sombra da agulha” metaforiza a arte da escrita em ponto  e fuga ou não na cicatrização da ferida. 

    “A sombra da agulha” metaforiza a arte da escrita em ponto  e fuga ou não na cicatrização da ferida. 

    Como uma ferida aberta aqui podemos figura-la metáfora, a vida nos expõe à isto. A agulha tenta fechá-la com linhas de escrita. Mas a escrita também suporta a dor, às vezes ela é o cerne da dor. O Inapetente não sente pena da sua ferida, pois não tem desejo para cicatrizar seu  ego.  Em novo livro de difícil rotulação, Cleber Pacheco, em ‘A sombra da agulha’, editora Litteralux, destila uma escrita híbrida entre a ficção e o ensaio poético e filosófico. O desejo do Inapetente, ou sua fuga para a sublimação onde obra e vida se sugestiona para uma certa complexidade existencial com as duas partes do livro, o coro e o guiado, na qual, funcionam como complementares, sendo que uma tem uma voz plural, multifacetada. Já a parte guiada tem a figura do rastreador, um leitmotiv, que não corrige imposturas, mas serve como elemento de sinalização e procura,  por algo dentro do próprio corpo da escrita perdido. O autor é hábil em seccionar o tempo cronológico, de um tempo mítico, onde palavras são desígnios dos deuses. Para isto o livro precisaria não se comparar a elegibilidade dos Deuses,  e sim preparar a condição humana para a inexorabilidade da morte.
    Compre o livro!

    Fernando Andrade, crítico literário.
    Autor, entre outros, do livro Obras são fonemas.

  • Autor indicado ao Jabuti lança coletânea de crônicas mordazes sobre temas que marcaram a primeira metade da década

    Autor indicado ao Jabuti lança coletânea de crônicas mordazes sobre temas que marcaram a primeira metade da década

    Ao começar a ler uma crônica de André Cunha, é provável que o leitor se surpreenda com o ponto de partida. O texto tanto pode se apresentar na forma convencional, como uma conversa com o leitor ou um diálogo inspirado numa cena do cotidiano, quanto assumir um gênero improvável: peça jurídica, letra de música, trailer de cinema, anúncio de jornal, manual de instruções, biografia de perfil, decreto imperial, nota de coluna social e assim por diante. Cada crônica escolhe seu disfarce.

    Se o ponto de partida é incerto, o desfecho é previsível nesse que é um gênero literário e jornalístico tão brasileiro: a observação mordaz, o comentário social irônico, a crítica precisa. Cunha trabalha com o repertório do noticiário, os clichês ideológicos, o jargão jurídico e o vocabulário das redes sociais, mas os reencena em chave deslocada, o suficiente para que o absurdo se torne visível, de forma a empurrar o leitor para fora da posição inicial, o levando a calibrar a máquina da realidade.

    E tudo indica que tom opinativo tradicional já não basta quando a própria realidade soa como caricatura. É preciso então experimentar formas, tensionar registros, misturar alta retórica e fala coloquial, converter relatórios técnicos em peça cômica. Em bom português, esculhambar. Se a crônica brasileira sempre se inspirou no cotidiano, aqui ela se expande para absorver o ruído digital e o debate político reduzido a memes e bravatas. O livro documenta um período em que a realidade parecia competir com sua própria paródia – e responde com mais paródia.


    Reunindo textos publicados no Jornal de Brasília a partir de 2020, Você tem um crush & outras crônicas, que sai pela editora Litteralux, com texto de orelha da escritora e jornalista Juliana Valentim, mede a temperatura de uma época que ainda não terminou de se explicar.

    A pandemia de Covid-19, por exemplo, tema de algumas crônicas, também dá as caras no livro Quem falou?, da mesma editora, indicado ao Prêmio Jabuti em 2024, sobre o qual foi falado: “Humor alucinado, sem pudor. Gargalhei à beça.” Quem falou? O crítico cultural Martim Vasques da Cunha.

    Sobre o autor

    André Cunha publicou o romance Quem falou? pela editora Litteralux, indicado ao Prêmio Jabuti 2024 na categoria Romance Literário, entre outros livros. Já colaborou com diferentes veículos de comunicação, como revista Fórum, BandNews FM, Brasil247 e revista Bula. Assina os textos que deram origem a esse volume no Jornal de Brasília desde 2019.

    Sinopse

    Quando André Cunha recebeu o convite para colaborar com a página de Opinião do Jornal de Brasília, o governo Bolsonaro mostrava suas garras, um vírus letal surgia na China e as movimentações militares na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia se intensicavam. De lá para cá, publicou, com humor afiado e linguagem versátil, mais de uma centena de crônicas sobre os desdobramentos desses e outros assuntos que marcaram a primeira metade da década – a polarização política, a volta dos que não foram, as aventuras dos juízes no país das regalias, a ascensão da China, terceira via, vaza-toga, 8 de janeiro, tarifaço, isolamento social, aplicativos de paquera, saúde mental, clonagem. O que o leitor tem em mãos é uma seleção desses textos. Mas é bom ficar sabendo: se está em busca daquele tipo de livro que critica apenas um lado, talvez seja melhor procurar outro.


    Serviço: Você tem um crush e outras crônicas; crônicas; p. 102; R$ 52; (Litteralux, 2026). [+ info]. andreluizrenato@gmail.com e litteraluxeditora@gmail.com

    Link para compras: https://loja.editoralitteralux.com.br/voce-tem-um-crush

  • VIDAS SEM NOME – POR JOSÉ EDUARDO DEGRAZIA

    VIDAS SEM NOME – POR JOSÉ EDUARDO DEGRAZIA

    O livro de contos breves e minicontos Vidas Sem Nome não tem, coerentemente com seus personagens, nome do autor na capa. Mas eu entregarei o nome do escritor, Wilson Gorj! Autor que tem criado um universo particular na narrativa breve, com muito trabalho e talento.
    Dele diz, na orelha do livro, o também escritor de contos e de minicontos magistrais, Mário Baggio: “Gorj pertence a essa linhagem de escritores que, conhecendo e dominando os mecanismos do gênero, consegue condensar a diversidade do mundo utilizando o mínimo de palavras. A aparente simplicidade dos textos esconde uma arquitetura sofisticada em que cada palavra tem seu lugar e importância; as que não importam são cortadas, sem prejuízo algum para a história que se quer contar.”

    Clique na imagem!

    No conto que abre o livro temos o sentido profundo das narrativas enfeixadas no livro e com adequação total ao título: “Vidas sem nome”. Um sofá acompanha a trajetória de uma família que vê seus membros desaparecerem, só ficando nas fotografias feitas ao longo dos anos. Mesmo que na última fique só na memória virtual da máquina: “Também haverão de achar estranho que alguém queira imprimir a fotografia de um sofá tão velho…e vazio”. (p.12).
    São minicontos de síntese aguçada e clareza de estilo. Domínio formal da narrativa breve e da estrutura característica do gênero. O autor aguça o olhar sobre as mazelas humanas, os pequenos sofrimentos que desapareceram para sempre não fosse o olhar, a fotografia feita pelo escritor desejando perpetuar um pouco que seja das nossas vidas incompletas e passageiras.
    A fotografia serve como metáfora tanto das vidas opacas que a ficção retrata, como do próprio miniconto: um instante de vida que se apaga, mas permanece à espera da revelação de algum fotógrafo ou de um minicontista.

     

    Resenha de José Eduardo Degrazia, escritor

     

     

  • FORMAS BREVES, IDEIAS LONGAS

    FORMAS BREVES, IDEIAS LONGAS

    Wilson Gorj é uma combinação de escritor e editor. Toca já há anos a casa independente Litteralux em Guaratinguetá, interior de São Paulo.
    Gorj lançou o livro “Vidas sem nome”, um conjunto de 58 minicontos, gênero do qual é persistente e exímio praticante. Gorj é também romancista.
    O miniconto diz muito com muito pouco. O exemplo mais extremo pertence ao guatemalteco Augusto Monterroso, que radicalizou essa proposta estética ao escrever “O dinossauro”, tido como o menor conto do mundo. Ocupa uma única linha.
    Os minicontos de Gorj, que por sinal homenageia Monterroso num deles, têm em sua maioria uma página, ou nem tanto. É leitura vapt-vupt, que cobre uma incrível miscelânea temática explorando situações absurdas, fantásticas, inusitadas e cômicas em torno de gente comum, sem direção.

    Clique!

    Raros são os minicontos que trombeteiam o discurso mais político do contemporâneo. E, quando o fazem, soltam as rédeas do delírio. Gorj se empenha em injetar fantasia no que escreve. O realismo cede lugar a outros voos engendrados no puramente literário. As formas são breves, mas a imaginação é longa.
    Ler os minicontos é como embarcar num carrossel de espantos sucessivos. Comento minimamente três deles.
    “O sofá” preenche um pouco mais de um página, porém, em sua concisão exemplar, conta uma saga familiar por meio das fotos de um sofá que atravessou gerações.
    Em “Pedalando pelas ruas da memória”, um avô montado numa bicicleta conduz seu pequeno neto pela paisagem de sua infância. O miniconto é uma pequena joia delicada.
    Fechando o volume, temos “Conceição”, a história de um homem que se vê de uma hora para outra tomado por uma voz que não a sua.
    Para quem aprecia o gênero miniconto, “Vidas sem nome” é uma agradável surpresa.

    Resenha de Paulo Lima, escritor

  • Através de um caminho íntimo, o livro ‘Serenas’ traz o ato poético da liberdade

    Através de um caminho íntimo, o livro ‘Serenas’ traz o ato poético da liberdade

    Comentário de Fernando Andrade a respeito do livro “Serenas”, da autora Daiana Pasquim.

    Caminhar é um ato poético. Como  andamos, logo, existimos. Mas poetar é um caminho sereno e não secreto, pois a literatura (a poesia) traz correntes e leitores, a paz de espírito. Daiana Pasquim cria versos como cânticos que sopram feito brisa de vento. Afetos: ela traça o religar, a comunhão com a elevação do humor, da serenidade das palavras. Passeios, trilhas,  pegadas, versos que conduzem o leitor ao mistério da condução, ao terreno para o etéreo. Há uma falsa noção de fugacidade,  porque, das palavras, a poeta simboliza os medos, os receios. Alteridade é alcançar a fantasia pelo amor à palavra. “Serenas”, pé descalço na areia do mar, que puxa e traz de volta: saudades.

    Compre o livro!

     

    Fernando Andrade, crítico literário.
    Autor, entre outros, do livro Obras são fonemas.

  • Isabela Daher Marques lança Faces de Mim

    Isabela Daher Marques lança Faces de Mim

    A obra revela os sentimentos e os dilemas nos relacionamentos adolescentes

    A rio-pretense Isabela Daher Marques, de 14 anos, vai lançar no dia 1º de novembro seu primeiro livro autoral. Editado pela Litteralux, “Faces de Mim” reúne 40 poemas da jovem escritora, que já conquistou prêmios em concursos de poesia e tem textos publicados em coletâneas. O lançamento ocorre das 17h às 20h, na Praça 1 do Riopreto Shopping Center, em São José do Rio Preto.

    A estudante do 8º ano, reconhecida no meio acadêmico pelas conquistas alcançadas em olimpíadas de matemática, revela também o dom para combinar palavras e emoções, em uma obra que explora os sentimentos da adolescência.

    “Faces de Mim” revela as delicadezas e desilusões do dia a dia, nos relacionamentos com outros indivíduos que vivem os mesmos dilemas.  “A obra traz o frescor da juventude e das descobertas em uma explosão de sentimentos, com os quais leitores mais jovens e também os mais experientes podem sempre se identificar”, afirma a jornalista e escritora Mariana Daher, mãe de Isabela.

    De acordo com o pai da autora, o jornalista e escritor Raul Marques, a jovem transforma, nessa obra, as dúvidas e as descobertas típicas da adolescência em poemas repletos de sutileza, luz, humanidade e inspiração. “Isabela produz uma poesia que nasce das suas indagações pessoais, mas que, ao mesmo tempo, reflete as dores, as alegrias e as vivências dos jovens de sua geração”, declara.

    Isabela cresceu cercada por livros. A habilidade na leitura e escrita fez com que a menina se aventurasse ainda na infância a criar as próprias histórias. As primeiras delas encontram-se guardadas no acervo íntimo da família.  Leitora crítica, tem os livros como parte importante da rotina diária.

    “Isabela teve sempre gostou muito de ler e tem facilidade para se expressar de diversas formas, incluindo a escrita, que amadureceu junto com a chegada da adolescência”, afirma Mariana Daher.

    Segundo Isabela, o apoio dos pais foi sempre fator determinante para que ela conseguisse se dedicar à poesia. “Eles sempre facilitaram meu acesso aos livros, além de me permitirem experimentar variadas formas de arte e maneiras de me expressar. Participamos juntos de bienais e eventos literários e eles sempre me pedem opinião sobre seus trabalhos com literatura”, conta.

    Isabela foi destaque, por três anos consecutivos, no concurso literário nacional realizado pela Fundação Cultural Pascoal Andreta, de Minas Gerais, conquistando por duas vezes o primeiro lugar na categoria poesia infantil e, neste ano, o segundo lugar na categoria poesia jovem.

    Agora, os leitores poderão conhecer melhor sua poesia, na obra aprovada pela curadoria da editora Litteralux. “Estou muito feliz e realizada”, conta a poetisa.

    Clique para acessar a vitrine do livro

    Lançamento – Faces de Mim

    Quando: 1º de novembro, sábado

    Horário: 17h às 20h

    Onde: Praça de eventos I do Riopreto Shopping Center

    Livro será vendido a R$ 50

    Contatos para entrevistas:

    Mariana Daher (17) 99731-1135

    Raul Marques (17) 99621-4648

  • “Sobre a impermanência do sol” poetisa a dor da perda durante a Covid

    “Sobre a impermanência do sol” poetisa a dor da perda durante a Covid

    Um breve dia, o poema perdia. O poema despediria e diria: este ano começa a pandemia. Sair na rua, o poema cantaria, só com máscara, por favor. O editor faz canções, o músico edita livros. E nesta toada ainda leio os vivos. Como agora nesta tarde de quinta, faço um sambinha com caixa de fósforo, prestando homenagem ao livro que leio: Sobre a impermanência do sol, de Markus Viny, publicado pela editora Litteralux.

    Poemas podem ser círculos sonoros, petardos musicais, misturando o regional com a metrópole. O medo do contato; a palavra presa na garganta. Markus faz, do gesto poético, uma barreira antibomba, antitombo; do sertão, palavras, cantigas, versos, restingas, a morte caatinga. Secura, secura… Se cura dessa covid! Poemas fazem milagres: são milágrimas, para seu pai, sua mãe. Markus faz da palavra um rito de purificação. Sua linguagem alcança alturas líricas, físicas, onde o poema se deita embaixo do sol.

    Fernando Andrade, crítico literário.
    Autor, entre outros, do livro Obras são fonemas.

  • Às vésperas dos 80 anos do genocídio atômico de Hiroshima, romance Bicho-da-seda trata do tema da diáspora japonesa

    Às vésperas dos 80 anos do genocídio atômico de Hiroshima, romance Bicho-da-seda trata do tema da diáspora japonesa

    Trama iniciada na manhã de 6 de agosto de 1945 termina com a fixação de japoneses no sul do Brasil

     A partir disso e situado entre os anos de 1945 e 1982, o livro trata da diáspora japonesa no pós-guerra ao contar a história de Emi Watanabe, a última descendente de uma tradicional família dedicada à produção da seda que foge em direção à América do Sul. Após muitas agruras e humilhações durante a travessia oceânica, ela chega à costa chilena, de onde parte rumo ao Paraná, no Brasil, cruzando a zona meridional do continente. No trajeto, junta-se a outros japoneses em fuga para, com eles, formar uma pequena comunidade que dará continuidade à criação do bicho-da-seda a partir de algumas lagartas que trouxe consigo.

    A partir do dia 6 de agosto de 1945, com a detonação da primeira bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima, evento que determinou a morte instantânea de 80 mil pessoas, o homem, sempre tão angustiado com a perspectiva de sua extinção como indivíduo, passou a ter que conviver com a perspectiva da possibilidade real de sua extinção como espécie. O romance trágico Bicho-da-seda, de autoria do multipremiado autor paulistano Luiz Eduardo de Carvalho e lançado pela Editora Litteralux, principia na manhã desta fatídica data, para contar uma história ligada a um ofício milenar trazido para o Brasil por herdeiros de sericicultores tradicionais japoneses que fugiram de Hiroshima horas antes da explosão.

    Em território brasileiro, o destino de Emi redesenha-se e a história prossegue pelas duas próximas gerações, apresentando o processo de superação dos traumas do exílio e a dificuldade de adaptação a uma cultura completamente diferente.

    Um livro denso, que aborda em profundidade aspectos psicológicos dos personagens, tanto em suas tendências naturais, quanto nos desvios de suas personalidades, motivadas ou não pelos traumas experimentados. Trata de assuntos delicados como a fobofilia, o estresse pós-traumático e o alcoolismo, bem como dos desvios comportamentais deles derivados.

    A marca da tragédia expressa-se pela trajetória do personagem Hirota Higa, um dos poucos sobreviventes do massacre de Okinawa, que se junta a Emi na chegada ao novo mundo e atravessa, com suas débeis tentativas de manter o equilíbrio da pequena comunidade, as histórias de três gerações.

    “A Natureza é a senhora dos prodígios. Como em uma imensa orquestra, cada espécie é regida pela partitura de sua carga genética, o que garante o cumprimento de sua determinação biológica de acordo com o desempenho esperado pela existência, mediante o complexo equilíbrio dinâmico do todo. Algumas criaturas, todavia, independem dos elementos condicionantes do meio para enfrentar mudanças, pois contém em si próprias as instruções para atravessarem  grandes transformações e experimentarem o mundo sob formas muito distintas. É como se lhes fosse dada múltipla existência em uma única vida. Às margens do Lago Biwa, a família Watanabe  vivia, há séculos, dos frutos dessa sabedoria traduzida pelas metamorfoses: criavam bichos-da-seda desde tempos imemoriais e produziam alguns dos fios com a melhor qualidade do arquipélago nipônico. No apagar das luzes da Segunda Grande Guerra, seus últimos descendentes migram  para o Brasil, mudança trágica capaz de determinar o fim do longo fio das tradições.”

    Segundo o professor, mestre em Literatura Brasileira pela UNB, escritor e ensaísta,  Leonardo Almeida Filho, “o que mais nos surpreende nas histórias de Luiz Eduardo de Carvalho é sua versatilidade; sua coragem em abordar com grande talento temas difíceis, polêmicos; sua ousadia de enfrentar universos diegéticos muito distantes de sua realidade imediata, como podemos constatar em seus grandes e premiados textos como “Sessenta e seis elos”, “Xadrez”, “Quadrilha”, “Cabra cega” e, agora, esse surpreendente monumento ficcional que é “Bicho da seda”.  Salta aos olhos o tremendo trabalho de pesquisa que consumiu o autor para construir uma pequena parte da história trágica e bela da imigração japonesa durante a grande guerra. Na figura da jovem Emi Watanabe, e seu irmão Takeshi, descendentes de uma linhagem nobre de produtores de seda, o autor vai tecendo, como fora ele próprio um bicho da seda, uma história surpreendente de determinação e coragem. Fugindo de um país arrasado, poucas horas antes da explosão da bomba em Hiroshima, um grupo de jovens japoneses, submete-se a toda sorte de abuso por parte de piratas, espécie de coiotes orientais, que os transporta pelo Pacífico até o Chile e, por terra, até o Brasil, passando por Argentina e Paraguai, numa odisseia sem heróis, deparando-se com uma realidade assustadora, clandestinos nazistas na América do Sul, trabalho escravo, tráfico humano, contrabando. Impressiona a representação realista dessa odisseia, com todas as suas tremendas injustiças e crueldades.

    O romance, ao adotar o processo de produção da seda, ao representá-lo com minúcia (o que demonstra sua grande capacidade de pesquisa para o tratamento literário), estabelece uma feliz alegoria da própria existência. Poucas lagartas voam, a maior parte delas sucumbe, nos diz Emi em certa parte do livro. E não é justamente o que acontece com todos nós e que acontecerá com os personagens dessa história? O romance acompanha a saga de três mulheres num mundo de barbárie e crueldade masculina: Emi, Sueda e Yoko. Hirota, um sobrevivente do inferno de Okinawa, torna-se o anjo protetor que, aos poucos, mostrar-se-á monstruoso. Não há espaço para personagens redondos, para perfis róseos e confortáveis. Para Luiz Eduardo de Carvalho, a vida é sempre um desconforto que precisa ser enfrentado. A complexidade psicológica de cada um dos seres ficcionais de “Bicho da seda” é um dos pontos altos da narrativa. Luiz Eduardo mergulha sem receio, e sem qualquer julgamento, nas nuances de cada um de seus personagens, suas fobias, medos, taras, desejos. Por trás da maciez e da beleza da seda, um mundo de asperezas e pequenas tragédias vai compondo o painel dessa grande história. Trata-se de um excelente romance, sem sombra de dúvidas, o que ratifica o autor como um dos grandes criadores contemporâneos brasileiros”, completa Leonardo Almeida Filho na sua apresentação do romance.

    Serviço:

    “Bicho-da-seda”, romance; p. 222; 14×21 cm – Editora Litteralux

    R$ 50,00

    (https://www.editoralitteralux.com.br/catalogo-titulo/bicho-da-seda)

    Luiz Eduardo de Carvalho foi professor, publicitário e assessor de imprensa, jornalista e gestor cultural nos âmbitos público, particular e do terceiro setor. Dedica-se exclusivamente à produção literária desde 2015, já recebeu mais de cem prêmios literários e publicou: O Teatro Delirante, Retalhos de Sampa, Sessenta e Seis Elos, Frasebook, Xadrez, Quadrilha, Evoé, 22!, O Pirata Grilheta e os Dragões do Mar, Um Conto de Réis (e de Rainhas), Crônicas do Ofício, Curtas-metragens, Cabra Cega, Q Absurdo!, Multiversos, Mãos de Deus – Biografia do Padre Júlio Lancellotti, Os Primeiros Músicos e Os Inquilinos.

  • Obra premiada, “O Negrou secou” aborda problemas sociais e ambientais

    Obra premiada, “O Negrou secou” aborda problemas sociais e ambientais

    Novo livro de Sandra Godinho mergulha nas cicatrizes da Amazônia e na luta pela sobrevivência

    A premiada autora Sandra Godinho, conhecida por suas obras que capturam as profundezas da alma humana e a realidade amazônica, lança seu mais novo livro, uma obra impactante que revela as múltiplas camadas da devastação social e ambiental na região. No cerne da trama está a dolorosa trajetória de Luara, uma mulher que, após ser violentada pelo próprio pai, dá à luz ao ‘Filho do Boto’ e tenta sobreviver em um cenário arrasado pelas drásticas mudanças climáticas, pela seca, pela extrema exploração humana e pela miséria.

    O conjunto de histórias se passa em uma Amazônia brutalizada pela exploração e negligência, onde os moradores ribeirinhos, assim como a própria floresta, enfrentam os efeitos de séculos de descaso. Luara, em meio à escassez e à desesperança, acaba entregando seu filho a Jovelina, uma cafetina local. A partir desse momento, a narrativa se desenrola em torno das relações que se formam entre mãe, filho e outros personagens, cada um simbolizando as mazelas e as batalhas enfrentadas por aqueles que vivem à margem de uma sociedade que os ignora.

    O livro, que provoca uma profunda reflexão sobre a devastação ambiental e social, apresenta trechos potentes, como o que descreve a paisagem após os desmatamentos e queimadas, quando até os urubus da região são cobiçados por grandes cidades estrangeiras que enfrentam crises próprias.

    Na orelha, a autora Marta cortezão nos alerta: “No caos dos beiradões de uma Amazônia negligenciada, entre mercúrio-plástico-agrotóxico, semeiam-se catástrofes para um futuro próximo. E ficar de bubuia, acovardar-se ou indignar-se é sentença de morte”.

    Além de um poderoso chamado à ação, a coletânea traz um fio de esperança ao leitor, lembrando que, mesmo nas situações mais adversas, ainda há espaço para a reflexão, a luta e a superação.

    Com uma carreira marcada por prêmios literários importantes, Sandra Godinho mais uma vez confirma seu papel de destaque no cenário literário brasileiro, abordando questões urgentes e universais. Sua escrita, rica em simbolismos e emoções, oferece um retrato fiel da Amazônia contemporânea, mostrando como suas feridas ambientais e humanas se entrelaçam.

    SOBRE A AUTORA

    Sandra Godinho nasceu em São Paulo em 1960, mas vive há 21 anos em Manaus, onde construiu uma sólida carreira literária. Mestre em Letras, já publicou 11 livros e recebeu prêmios: a Menção Honrosa no Casa de Las Américas, o Prêmio Cidade de Manaus, o 1º Prêmio Carolina de Jesus (2023), sendo finalista no Prêmio São Paulo de Literatura (2021) e Leya (2121/2022).

    SERVIÇO:

    Título: “O negro secou”, ficção (Menção Honrosa “Prêmio Manaus de Literatura 2024”).

    Autor: Sandra Godinho 

    Publicação:  2024

    Tamanho:  14×21

    Páginas:  150

    Preço: R$ 48,00

    Link para compra:  https://www.editoralitteralux.com.br/loja/o-negro-secou

  • Crônicas de botequim: histórias para ler sorrindo

    Crônicas de botequim: histórias para ler sorrindo

     

     

    O cenário: Rio de Janeiro do samba e dos encontros entre amigos ou ainda dentro da sua casa, nas mais bizarras situações que qualquer um de nós poderia ter passado.

    O livro do Carlos “Mumu” Oliveira (apelido dado em homenagem à semelhança tanto no humor, simpatia e carisma, mas principalmente pela veia artística do Mumu da Mangueira), já aclamado antes mesmo do lançamento, nasce a partir de suas publicações nas redes sociais.  Por lá ele já faz sorrir os amigos, entre eles a escritora e historiadora Rita Alves, que percebeu o fio narrativo, a capacidade criativa de Mumu e o incentivou a publicar.  Mas não só.  Marcio Perrotta, procurado por Rita, foi um dos incentivadores desse talento de Mumu: transformar as cenas cotidianas em histórias hilárias.

    Assim, o projeto foi abraçado pela Editora Litteralux, e sai com belas apresentações, entre elas a do arquiteto, publicitário e cineasta Duto Sperry; a capa foi criada pela premiada designer Helena Tavares.

    Nascido e criado no morro da Mangueira, Mumu é um apaixonado pelo samba, pela família, pelos amigos e por boas histórias. Dono de uma verve que nos encanta, pois a singeleza dos relatos se emaranha com a complexidade do que é viver nas comunidades do nosso Brasil.

    O local de lançamento não poderia ser outro: o Alfa Bar e Cultura, localizado no Boulevard Olímpico, endereço em que acontecem aulas sobre samba, africanidades e cultura do Brasil, sob regência do historiador Luiz Antonio Simas, detentor de precisos saberes sobre ancestralidade.

    Reverenciar a singeleza e profundidade do que somos, levar ao público a possibilidade do riso é o maior legado do livro de Mumu.

    Sobre o autor:

    Carlos Oliveira: Nascido e criado, até o início da adolescência, no Morro de Mangueira, onde tem familiares. Mumu mudou-se para outra comunidade, a Cidade de Deus, onde viveu a fase adulta e vive até hoje.  É gerente de supermercado e é um dos diretores do Grupo Torcida Nação Verde e Rosa.

    Serviço:

    Lançamento: 13 de outubro de 2024 a partir das 13 horas

    Local: Alfa Bar e Cultura, Rua do Mercado, 34.

    Tarde de autógrafos e roda de samba com Paulinho Bandolim, projeto Enredo do Meu Samba.

    Contatos: Léo Rangel (RJ)  21 98852-8139   |  Rita Alves (SP) 11 99966 1683

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