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  • VARIEDADE DE HISTÓRIAS HUMANAS

    VARIEDADE DE HISTÓRIAS HUMANAS

    Livro de contos busca retratar a vida urbana com suas dores e amores

    “A Moça na Laje e outras histórias” (Penalux, 2023), novo livro da escritora Lucia Leite, é um conjunto de contos cuja proposta é trazer ao leitor uma variedade de histórias contemporâneas, principalmente dentro de um cenário urbano.

    “É um livro sobre pessoas”, adianta a escritora em entrevista à nossa redação.  “Falo de amores e dores, nas várias formas de levar a vida.”

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    Os textos de Lucia transitam em vários registros das relações humanas: questões sociais, religiosidade, política, violência urbana, dificuldades e empoderamento das mulheres, os percalços e as alegrias do cotidiano.

    “Minha intenção com esses contos é despertar emoção, empatia, solidariedade”, continua a autora. “Assim como compartilhar experiências vividas pelos personagens. Fazer o leitor se reconhecer nas histórias contadas”, completa.

    Para o escritor Vilto Reis, a coletânea é um “retrato indispensável do sofrimento humano”.  

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    “É como folhear um álbum de fotografias”, diz a autora em definição à sua obra. “Você pode se ver em cada conto, cada relato. Vai lembrar de pessoas que passaram na sua vida, reconhecer nos personagens, indivíduos reais que encontramos no dia a dia, neste país tão grande, multicor e multifacetado”, finaliza.

    As histórias que compõem a coletânea são reflexos do real transformado em ficção pela mão de quem vivenciou, observou, se sensibilizou e encontrou verdade e beleza em cada uma delas. Isso porque, além de escritora, Lucia Leite também é médica, atividade da qual extrai matéria-prima para sua literatura.

    Os contos também falam de lugares, de modos de vida, de sentimentos; trazem informações de fatos poucos conhecidos, como os anos de chumbo, a marcha das margaridas, preservação ambiental, entre outros assuntos e conteúdos dos quais o leitor sairá tocado e surpreendido. Uma leitura com doses curtas, mas cada qual imperdível.

    O livro está à venda no site da editora Penalux.

    SERVIÇO
    “A moça na laje e outras histórias”, contos; p. 80; R$ 42 (Penalux, 2023).
    Link para compra:
    https://www.editorapenalux.com.br/loja/a-moca-na-laje-e-outras-historias

    SOBRE A AUTORA

    Lucia Elena Ferreira Leite, carioca, médica, formada pela Universidade Federal Fluminense, filiada à Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Sobrames/RJ, desde 2004, autora de contos e crônicas publicados em coletâneas e revistas, e de trabalhos premiados em concursos da Sociedade. Membro do coletivo de escritores Só uma sugestão. Em 2022 publicou seu primeiro romance “Perdidos” pela Editora Penalux.

  • Dom Pedro II, o imperador da América

    Dom Pedro II, o imperador da América

    Romance histórico trata de desnudar o homem por trás do monarca

    Que Dom Pedro II foi um grande vulto histórico, todos sabemos. O que poucos sabem é que o imperador foi assediado para ser presidente dos Estados Unidos, não só uma, mas três vezes.

    Tal desafio não foi levado adiante. Mas por quê?

    “O imperador da América”, romance histórico do escritor Aguinaldo Tadeu, não só responde a esse questionamento, como também revela o homem por baixo da coroa, com suas dúvidas, ambições, fraquezas e pecados.

    “Pedro de Alcântara, como de fato se chamava Dom Pedro II, foi um brasileiro peculiar que gostava de livros, viagens, idiomas e mulheres”, contou o autor à nossa redação. “No meu romance, Dom Pedro abre seu coração e conta suas aventuras, como a que teve com uma jovem americana de belos olhos azuis, que fez o imperador quase perder a cabeça, a coroa e o trono juntos”, revela Aguinaldo.

    Nas quase duas décadas retratadas na obra, Dom Pedro faz o relógio correr mais rápido: realiza viagens internacionais, administra os ciúmes da imperatriz e da Condessa de Barral, vence a Guerra do Paraguai, sofre com a oposição e os jornais, além de governar um império do tamanho da Europa.

    “O imperador enfrenta desafios, toma decisões importantes, alcança vitórias”, continua o escritor. “Ele ama e também comete seus pecados, porque abaixo da linha do equador ninguém é santo”.

    No texto de orelha, o escritor Leonardo Almeida Filho diz o seguinte: “O novo romance de Aguinaldo Tadeu é uma narrativa que, em sua agilidade e frescor, nos apresenta um Dom Pedro II original e cativante, muito distante daquela figura sisuda retratada nos livros de História do Brasil. […] Aguinaldo já nos brindou com outro delicioso romance histórico, ‘A mulher que proclamou a República’ (2020), no qual se debruça sobre o processo de instauração do novo regime, com a derrocada do Império e o exílio de seu atual personagem, Dom Pedro II. ‘O imperador da América’ nos oferece uma narrativa de ficção histórica, que, guardadas as proporções, remete aos folhetins de aventuras do século XIX, […] nos apresentando um novo Dom Pedro II, um herói possível, viável, injustiçado”.

    Além desses aspectos, como já dito, nessa obra o leitor também saberá qual a razão do imperador ter resistido ao assédio da maior república do mundo. Ou seja: por que não largou o Brasil e virou presidente dos Estados Unidos?

    Para além do seu trono, Dom Pedro II é uma figura emblemática em nossa História. Sua vida e seu período histórico, que foi tão importante para o nosso país, são expostos neste romance de uma forma ao mesmo tempo documental e cativante. O leitor vai se surpreender com este novo livro de Aguinaldo Tadeu.

    À venda no site da editora e também pela Amazon.

    “O Imperador da América”, romance; 16×23, p. 266; R$ 60 (Penalux, 2023).
    Link para compra:
    https://www.editorapenalux.com.br/loja/o-imperador-da-america

     

     

    Aguinaldo Tadeu nasceu em Belo Horizonte e mora em Brasília. É formado em História, tem pós-graduação em Marketing e mestrado em Comunicação. É autor de outros sete livros, passando por contos, romance, literatura infantil e poesias. Entre eles, está A mulher que proclamou a República, romance histórico, Penalux Editora, 2020, e O dono do rádio, contos, Giostri Editora, 2011, vencedor da Bolsa de Criação Literária da Funarte. Gosta de contar e ouvir casos, os reais e os imaginários, tomando um café de rapadura à beira de um fogão à lenha.

     

     

  • As várias facetas das “fraquezas da carne”

    As várias facetas das “fraquezas da carne”

    Por Krishnamurti Góes dos Anjos (*)

     

    Em “A inevitável fraqueza da carne”, primeiro romance publicado pelo escritor e editor Wilson Gorj, encontramos a história da vida de Carlos, um contador que recebe uma insuspeitada herança deixada por seu pai. Uma chácara em uma pequena cidade interiorana. Pesa sobre a memória do falecido a mágoa de ter largado esposa e o filho único como resultado de uma aventura amorosa com outra mulher. Exatamente neste ponto dá-se o início da narrativa que apresenta uma série de experiências que vão culminar em mudanças radicais na vida do protagonista.

    Foto: Luigi Ricciardi

    O homem é um pacato contador que mantem um escritório de contabilidade com um sócio. Casado há quatro anos com Luísa que deseja engravidar e almeja ainda fazer viagens mundo afora com o resultado da venda da tal chácara. Para tanto devem se inteirar da propriedade e entre idas e vindas ao imóvel, ele acaba descobrindo retalhos da vida do pai, ao tempo em que recompõe o drama vivido por ele e a mãe ante a ausência causada pela separação. Ao lado do terreno da chácara mora uma modesta família composta pelo caseiro que servia ao pai de Carlos, sua enigmática esposa e… Maya, a jovem e bela filha desse casal.

    As primeiras viagens ao lugarejo se dão com o propósito de conseguir comprador para o imóvel. As seguintes, vão aos poucos sendo arquitetadas por Carlos que desde que conheceu a garota, já não visava só esse objetivo. Maya passa a ser objeto de desejo, e pior, ela parece em certa medida corresponder. Está armado um dos laços para a fraqueza da carne que ele tanto condenava no pai. Como pode? Um homem casado se interessar por uma mulher, bonita, e jovem, e inteligente e ainda por cima estudante de Letras? Reforça tal circunstância a figura emblemática de uma jaguatirica que começa a rondar a chácara com objetivos de sanar a fraqueza do estomago com as galinhas criadas ali. Uma alegoria a situação. A jaguatirica, o desejo sexual, a fome e Maya.    

    A obra é, todavia, muito contida. Um narrador onisciente e neutro apresenta-nos a história em sua sequência linear. Nos deparamos com capítulos curtos de pequenas revelações graduais numa prosa leve que prende a atenção do leitor. Se tal recurso possui o condão de situar o leitor para o drama que pulsa e subjaz (a formação e proceder do protagonista ante as tentações e reveses da vida), deixa pouco espaço para estudos de personalidade dos personagens o que traria sem dúvida maior fôlego à narrativa. Sim. A segunda parte da obra nos parece uma tentativa nesse sentido tendo em vista que vem em primeira pessoa na voz do próprio Carlos.   

    Seja como for, o autor ao selecionar a porção de realidade que pretendia analisar, procedeu com base em um entrelaçamento dramático: reduziu o campo de observação para melhor compreender, e o fez estribado justamente na afinidade de conflitos. A partir de uma “fraqueza da carne” perpetrada pelo advogado Pedro Hamilton Franzzini, pai de Carlos, que resultou em separação da família, temos outros polos de “fraqueza”, como é Luísa a esposa do protagonista, uma mulher fútil, com desejos de cunho hedonista a pensar em viagens memoráveis pela Europa e a decorar quartinho de bebê. Dona Marta a esposa do caseiro, e mãe de Maya, mulher desconfiada, misteriosa e de poucas palavras, a fatídica e enigmática doutora Miriam, que conviveu com o pai de Carlos durante mais de vinte anos, e andou fazendo na juventude ensaios para a revista playboy. O comportamento verdadeiramente egoísta de dona Carmen a mãe do protagonista que – rezou a lenda no final – o criou como se fosse um boneco de estimação e não um ser humano, e afinal é acometida de um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória. O mal de Alzheimer.

    Tudo acaba por se aglutinar, numa interdependência simbólica que se interliga à proeminência essencial do drama de origem. A traição do Pai de Carlos, a separação e a nenhuma convivência familiar. Esse drama central ilumina o entendimento dos secundários e estes por sua vez ajudam a entender o outro no sentido de ampliar as inúmeras nuances do que entendemos por egocentrismo. Ou por outra, as nossas (in)evitáveis fraquezas da carne. E do espírito também.

    O autor provoca a libido do leitor. Arma uma cena que atiça nossa imaginação… O tal de Carlos vai a certa altura lá em um riacho com o caseiro Romildo e sua filha Maya, passam a tarde tomando banho no tal riacho, muita conversa, olhares, sorrisos, toques e etc. e depois, já de volta ela aparece no sítio dele a propósito de devolver um óculos escuro. Os dois se veem depois umas duas cervejas geladas na cabeça, sentados numa mesma rede. Estão sozinhos na casa. Corpos colados na rede, ele um homem de trinta e poucos anos, ela com vinte e três, morena, linda, suave, dócil e: “Os dois estavam muito próximos. Ficaram se olhando, sorrindo. O sorriso, no entanto, foi se desfazendo e dando lugar a uma expressão mais séria, compenetrada. Os lábios de Maya entreabriram-se um pouco. Mantinham-se os olhos fixos. Os rostos se aproximavam lentamente…”  mas afinal o que havia entre os dois de fato? Puro desejo? atração física? Ternura? Um amor nascente? O narrador não diz. Ao leitor as conjecturas que eu não estou aqui para dar spoiler do que ocorreu a seguir, claro.

    Entretanto não posso me furtar a dar um spoiler, e que me perdoem o autor, o editor, os leitores, os ortodoxos em matéria de resenha e etc., me perdoem todos. Sabem o que aconteceu com a jaguatirica? Aquele bicho que andava assombrando as galinhas do sítio e etc. e tal? Foi morta a bala pelo novo proprietário, um militar reformado. Teve seu couro pregado em um muro como um troféu. Misericórdia! Essa metáfora tem o peso de uma machadada certeira! Pronto, falei.

    O livro nos brinda ainda com uma dose extra e divertida de inventiva. Há um prólogo de apenas 3 páginas em que se narra a gênese (ficcionalizada claro) da obra. Dois amigos se encontram num bar e comentam sobre os originais que um deles está escrevendo. Isto sobre o olhar e escuta bisbilhoteira do garçom (ah são tantas as fraquezas da alma). E ao final surpreendentemente, lemos um “Posfácio com efeito de epílogo”, escrito pelo mesmo amigo lá do início, e que estabelece uma ficção paralela. Este amigo é quem explica os rumos que obra e autor tiveram. Positivamente inventivo.

    O autor apostou na capacidade de a ficção desvendar sendas ocultas do real, assumindo uma postura crítica em relação ao poder mimético – em seu sentido de transformar e ampliar sentidos – da expressão “fraqueza da carne”. Com isso assume a subjetividade e mesmo a precariedade das perspectivas no enfoque do real. Talvez esta seja uma forma menos ilusória e, portanto, mais eficaz de conhecer. Há de se ter em vista nuances…

    Vale referir finalmente que uma das epígrafes do livro, e que abre a segunda parte da obra de autoria do escritor tcheco Milan Kundera em “A insustentável leveza do ser”, afirma: “Nunca se pode saber o que se deve querer porque só se tem uma vida que não pode ser comparada com vidas anteriores nem retificada em vidas posteriores.” Muito bem; na sequência da narrativa, quando se desenrola um atropelo de acontecimentos negativos que oprimem ainda mais o existir sofrido do protagonista Carlos, e que afinal fica sabendo que a fraqueza da carne – no sentido mais profundo do desejo sexual e da traição em mais alto grau – vieram de onde menos se esperava, ele pensa: “Deve haver algum deus cuja presença se manifeste de forma intermitente. Isso explicaria porque algumas vezes (na maioria dos casos, na verdade) as coisas parecem seguir um fluxo desordenado, ilógico, para não dizer ruim, e em outras (pouquíssimas vezes, acredito) tudo acontece como se por trás dos eventos houvesse a regência de uma inteligência atenta e benevolente”. Está plantada a nível de reflexão, a dúvida no espírito do leitor. Só teremos uma vida de fato? Estaremos fadados ao nada após a morte? Existirá um deus? Sim; e o tal do livre arbítrio humano, essa eterna questão: qual o limite – elástico (?) – do nosso livre arbítrio num tempo em que o homem vem se rebaixando ao nível da “fraqueza da carne” das feras selvagens e vive como se não houvesse mais nada, além do aqui e agora hedonista, incapaz que vem se tornando de sondar, imaginar sequer, algo além.

    O romance convence e realiza-se como tal porque o autor soube em boa medida operar um consórcio harmonioso entre memória, observação e imaginação. Em pinceladas leves “A inevitável fraqueza da carne”, ventila e nos faz refletir também sobre temas vitais da condição humana como a consciência do amadurecimento, a morte, a solidão, a traição, o amor… Sim, é verdade, estamos diante de um primeiro e tímido passo de um autor que já publicou obras de microficção, minicontos e poesia minimalista. Aguardamos, portanto, e com vivo interesse, seus próximos passos na prosa de maior fôlego que é o romance, com os votos que a explore com maior amplitude, densamente, criando atmosferas ficcionais onde aflore a psique humana em suas profundidades. Já demonstrou que é capaz. Adiante pois.         

    (*) Krisnamurti Góes dos Anjos tem publicados os livros: Il Crime dei Caminho Novo – Romance Histórico, Gato de Telhado – Contos, Um Novo Século – Contos, Embriagado Intelecto e outros contos, Doze Contos & meio Poema e À flor da pele – Contos.  Participou de 30 Coletâneas e antologias, algumas resultantes de Prêmios Literários. Há textos seus publicados em revistas no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Panamá, México e Espanha. Seu último romance publicado pela editora portuguesa Chiado – O Touro do rebanho – Romance histórico, obteve o primeiro lugar no Concurso Internacional – Prêmio José de Alencar, da União Brasileira de Escritores UBE/RJ em 2014, na categoria Romance. Colabora regularmente com resenhas, contos e ensaios em diversos sites e publicações. Atuando com a crítica literária, resenhou mais de 350 obras de literatura brasileira contemporânea veiculadas em diversos jornais, revistas e sites literários. 

  • Na dúvida, é melhor não mentir

    Na dúvida, é melhor não mentir
    Em seu romance de estreia, escritor aborda questões contundentes como prostituição infantil e fake news

    “A mentira é o único privilégio do homem sobre todos os outros animais”, sentencia Dostoievski em sua obra-prima “Crime e Castigo”.
    Partindo dessa premissa, o escritor Luiz Gustavo de Sá apresenta seu novo livro, o romance “Na dúvida, é melhor não mentir”, que está saindo pela editora Penalux.

    Clique na capa!

    O livro é protagonizado por Ricardo Galego, um jornalista desempregado que vem levando uma vida niilista e sem maiores pretensões, até que a inesperada gravidez de sua namorada surge para sacudi-lo do seu torpor. A exemplo de Bentinho, personagem machadiano do romance Dom Casmurro, Ricardo também tem dúvidas sobre a paternidade do filho que sua companheira espera.
    Segundo o autor, a ideia principal do livro é levantar discussões sobre as noções de “verdade” e “mentira”. “Devemos fazer distinções entre as verdades que são subjetivas, que não servem para todos, e as mentiras descaradas, usadas deliberadamente com diversos propósitos, tanto a nível pessoal quanto midiático”, diz Gustavo.
    Paralelamente, há outra história em curso.
    O personagem aceita uma proposta de trabalho de um colega, que é editor de um jornal sensacionalista. Ricardo, portanto, é contratado para participar de uma reportagem sobre uma rede de prostituição e exploração sexual de menores, que atualmente vem sendo investigada por uma CPI. O jornalista parte para Lisboa com essa missão na bagagem. Durante a viagem, Ricardo se vê envolvido acidentalmente num crime, após conhecer uma jovem misteriosa. Após vários contratempos, ele retorna ao Brasil e tem uma grande surpresa relacionada ao filho.
    “Com texto fluido e personagens construídos com muito cuidado”, destaca Daniel Zanella, editor do periódico literário RelevO, “a obra envolve o leitor em um enredo engenhoso e bem-humorado, sempre na medida certa, com uma surpreendente reviravolta em seu final.”
    Zanella concluí assim o texto que consta na orelha do livro: “Entre jogos de poder e os bastidores da indústria jornalística, ‘Na dúvida, é melhor não mentir’ entrega um olhar profundo e divertido da natureza humana”.
    O autor também procurou abordar a questão das fake news nesse seu romance de estreia. De modo que assim que o personagem regressa ao Brasil, ele descobre que seu editor fez mal uso do material que lhe fora entregue, forjando uma falsa narrativa em cima de sua reportagem investigativa.
    “Dessa forma, tanto a gravidez de sua namorada quanto os acontecimentos da viagem colocam em xeque várias convicções do protagonista”, adianta o autor. “As suas verdades, que ele julgava inabaláveis, são então questionadas”.
    O livro nos convida a refletir sobre como as verdades são subjetivas e variadas e como as mentiras podem ser intencionalmente forjadas a partir de diversos interesses, alguns inofensivos, outros, perversos e repletos de más intenções.
    Em tempos de pós-verdade, em que as fake news infestam as redes sociais e as mídias, a obra oferece exemplos de como a manipulação dos fatos são usadas para influenciar corações e mentes.
    “Vai chegar um dia em que tudo poderá ser verdade”, diz um dos personagens do romance, que se passa em 2004. “Todo mundo vai falar o que quiser e muita gente vai acreditar. Todo mundo vai manipular a realidade de acordo com o gosto do freguês. Uma história bem construída vai ser mais importante do que a verdade, e vai se espalhar muito rapidamente”.
    Qualquer semelhança com a realidade de hoje não é mera coincidência.
    Gostou da proposta desse romance?
    A obra já pode ser adquirida nas plataformas de venda disponibilizadas pela editora.

    SERVIÇO

    “Na dúvida, é melhor não mentir”, romance – Luiz Gustavo de Sá. R$ 45 (174 p., Penalux, 2023).
    Link para compra: editorapenalux.com.br/loja/na-duvida-e-melhor-nao-mentir

    SOBRE O AUTOR

    Luiz Gustavo de Sá nasceu em São Luiz Gonzaga-RS e mora em Niterói-RJ. É engenheiro pela UFRJ e historiador pela UFF. Foi premiado no III Concurso Municipal de Contos da Prefeitura de Niterói (2005); pré-selecionado na edição de 2018 do Prêmio Sesc de Literatura e semifinalista do 3o Prêmio Internacional Pena de Ouro (2022) da Casa Brasileira de Livros. Publicou os livros de contos “Parafernália” (2020) pela Editora Itapuca e “Ninguém está olhando” (2022) pela Editora Penalux. Participou de diversas antologias de contos e poemas.

  • Carta do escritor Samuel Medeiros

    Carta do escritor Samuel Medeiros

    O escritor Samuel Medeiros escreveu uma carta-resenha a respeito do livro “A inevitável fraqueza da carne”, romance de estreia do editor e escritor Wilson Gorj. Confiram abaixo.

    Caro Wilson:
    […]
    Achei a trama bem bolada, como uma novela em que o personagem trafega entre encontros e desencontros, os dramas familiares comuns aos mortais. Quantos deles existem por aí, não?
    A sexualidade é um ponto alto nos romances, e você soube captá-la nos momentos exatos da construção do texto. A atração por Maya tem este apelo forte da atração que ocupava o tempo e a libido do personagem.
    A narrativa foi conduzida até o ponto em que você desmorona a velha frase bíblica de que “a carne é fraca”. Isso mesmo, nós é que somos responsáveis se sucumbirmos ou não. Uma questão de escolha. E como você disse, quem demonstra fraqueza não é ela, mas sim nossa determinação.
    Pois bem. Lidando com esse aspecto, me aparece logo no início a jaguatirica, um animal que não é onça nem gato, fica no meio entre a ferocidade e a mansidão; ela talvez seja a metáfora que você fez da mulher que excitava Carlos, talvez inocentemente. O fato de haver interferência (de Marta), salva-o da tragédia, mas o romance não acaba aí. A jaguatirica é a representação da esperteza: só ataca de noite, em silêncio, surpreendendo as presas. Assim, a sexualidade é dotada desta astúcia e aparece nos momentos inesperados.
    […]
    No início temos uma mulher louca para engravidar, que parecia a mais pura em seu casamento; ela frustra toda a esperança de vermos coerência no ser humano.
    A chácara é outro elemento impactante no livro, pois ela isola Carlos do mundo agitado e do maçante escritório de contabilidade – é um oásis enfim mal aproveitado, pois vendido por força de novas circunstâncias […]
    Assim vejo no romance esta busca do ser humano por firmar sua identidade no mundo. Os planos se esboroam quando se descobre realmente quem é o outro. O parceiro, por mais que se sonhe idilicamente com o amor, acaba decepcionando. É claro que isso não é regra, mas reforça a dose de gravidade num romance.
    […]
    Por último, envio-lhe a foto de minha antiga jaguatirica, do tempo em que a achamos na fazenda, uma cria praticamente recém-nascida, talvez tenham matado a mãe, ou esta lhe abandonou. […] Ela estava crescendo e dócil, até que foi atacada por um cachorro tipo o “Preto” do seu romance. Não tivemos como salvá-la. Ficou a foto na minha sala. […]
    Um abraço do
    Samuel.


    [📸: Acervo pessoal do autor do texto]

  • Pulando a cerca – resenha*

    Pulando a cerca – resenha*

    Uma das ousadias mais provocativas da literatura contemporânea é pular a cerca que separa ficção de realidade, misturando técnicas narrativas que envolvem a autoficção, o relato documental e o depoimento em primeira pessoa. Ora carrega traços autobiográficos, outras vezes é disfarçada por um narrador onisciente, e não raro a trama é exposta para o leitor em cartas anônimas, testamentos, gravações ou até uma conversa no bar.
    É preciso muita perícia para manejar todos esses recursos sem parecer um pastiche de obras famosas. Há vários autores consagrados que se valem destes artifícios, e até o Nobel premiou em 2022 a francesa Annie Ernaux, cuja obra é marcada pela autoficção.

    Annie Ernaux

    Ou seja, ninguém está sendo transgressor praticando um gênero que vem se tornando uma marca consagrada deste século. De Marguerite Duras a Lobo Antunes, de Cristóvão Tezza a Ricardo Lísias ou Rita Carelli, cada vez mais a vida dos autores se confunde com suas obras, não esquecendo de deixar semiaberta a porteira da ficção.

    António Lobo Antunes

    E é aí que mora a grande dificuldade: ser criativo num campo cada vez mais congestionado. Às vezes a saída é buscar uma linguagem original, embora também este seja um caminho espinhoso. Um bom argumento é meio caminho andado, e já vai longe o tempo em que os teóricos do nouveau roman apostavam as fichas numa história sem começo ou final. Na era do pós-tudo, todas as cartas estão na mesa, e o jogo literário pode lançar mão de qualquer recurso, até os consagrados.

    Romance de estreia do autor

    O recém lançado romance de Wilson Gorj, “A Inevitável Fraqueza da Carne” (Penalux, 2023), brinca – a sério – com este pular-a-cerca entre gêneros. Um pequeno prólogo revela dois amigos no bar, e um deles está escrevendo um romance “com fortes traços autobiográficos”. Logo entramos na parte 1, narrado em terceira pessoa. Uma história linear, enxuta e bem resolvida, que vai direto ao ponto: um homem recebe a notícia da morte do pai ausente, com quem nunca manteve qualquer contato. A mãe, que sempre o isolou e protegeu, está terminando seus dias num asilo, com Alzheimer. O pai deixou uma chácara com herança, e ele vai conhecer o imóvel, no interior de São Paulo. Seu casamento de quatro anos vive um momento de instabilidade, com a mulher querendo ter um filho. A viagem propicia novas relações, com o caseiro e sua família, mulher e filha, a segunda mulher do pai, que ele nunca conheceu pessoalmente, e até uma jaguatirica que tenta várias vezes roubar uma galinha do seu quintal. É a inevitável fraqueza da carne que, no caso dos seres humanos, se entende como a tentação ao pecado carnal.
    A trama é realista e despojada de julgamentos, à medida em que vai ganhando contornos rocambolescos. Antes que se pareça enredo de novela global, uma surpresa: após 114 páginas, surge uma segunda parte narrada em primeira pessoa, dando uma guinada estilística e assumindo um tom confessional. Mal nos refazemos do pulo-da-cerca e, 30 páginas depois surge um espantoso epílogo (ou “um posfácio com feitio de epílogo”) que embaralha tudo e nos remete novamente ao prólogo, pois é narrado por um editor.

    O autor

    É tudo verdade? É tudo mentira? Wilson Gorj, editor na vida real, autor de engenhosos minicontos (Histórias para Ninar Dragões, 2012), estreia na narrativa longa (mas não muito, são pouco mais de 150 páginas) mostrando que tem muita garrafa pra vender. Sua escrita é fácil, aparentemente simples, mas embute armadilhas que nos encantam quando são habilmente reveladas.

    Milan Kundera

    O único autor citado no enredo – e tem um papel importante na trama! – é Milan Kundera, e duas partes do livro tem epígrafes do autor tcheco. Fica evidente que o título “A inevitável fraqueza da carne” é uma apropriação antropofágica de “A insustentável leveza do ser”. Sem querer se comparar, Gorj se apoia nos ombros do gigante para criar uma obra muito original, que certamente dará um nó na cabeça de seus leitores.

    * Daniel Brazil, escritor

  • Theo G. Alves faz apanhado das miudezas da vida em ‘Inventário de tão pouco’

    Theo G. Alves faz apanhado das miudezas da vida em ‘Inventário de tão pouco’

    Em seu novo livro, o oitavo em 14 anos, o escritor potiguar continua exercitando a maneira de dizer as coisas que lhe compõem. Obra está em pré-venda com o autor.

    Poesia como espólio. Em “Inventário de tão pouco”, seu novo livro — o oitavo de uma carreira literária que soma 14 anos —, o escritor potiguar Theo G. Alves, 42, tenta fazer um apanhado das coisas que parecem menores na urgência da vida cotidiana. Nessa miuçalha a que em geral o mundo é indiferente, estão os tais grandes temas da humanidade: o tempo, o amor, perdas, caminhos, cidades.

    “Tudo o que compõe a pequena herança do que escrevo está nele. Continuo exercitando a maneira de dizer as coisas que me compõem. Então, de alguma forma, este inventário é algo que está dentro e fora de mim simultaneamente. É como recebo, transformo e devolvo ao mundo o que me toca”, diz Theo Alves, que nesse exercício de dizer as coisas que o compõem acaba por se ver diante de uma versão mais jovem de si mesmo, estreando como escritor com o livro “Pequeno manual prático de coisas inúteis”, também de poemas, publicado em 2009.

    “De certa maneira, o manual e o inventário realizam uma espécie de encontro. Na verdade, meu primeiro livro representa a primeira vez em que consegui organizar o que escrevo para tentar entender os meus processos de relacionamento comigo mesmo e com o mundo. Acho que continuo tentando entender esses processos e espero nunca terminar de fazer isso, afinal nós mudamos o tempo todo e parar de tentar traduzir esse processo significa parar de lidar com o mundo. Para mim, o inventário marca um passo importante nessa compreensão, já que me parece um livro bonito. Oferecer algo bonito, mesmo que às vezes seja cruel, me parece um gesto de esperança pela vida.”

    Theo começou a escrever os poemas do novo livro três ou quatro anos atrás, mas não os datou — ele sempre evita datar o que escreve — para não sentir a angústia que é ter de transformar tudo em alguma coisa porque o tempo está passando. “O ritmo absurdo da vida também foi me ensinando a cortar caminhos para um livro. O primeiro processo é sempre o de olhar para as coisas sem tentar entendê-las, mas as sentir. Isso se confunde muito com o que é viver”, diz.

    Questionado se o título “Inventário de tão pouco” seria uma forma irônica de refletir sobre a poesia e a arte em geral, vistas como coisas desimportantes diante do pragmatismo da vida, Theo responde à provocação como o escritor profundamente sensível que é: “Dizer que a arte não tem importância me parece muito duro. Não acho que ela, em especial a Literatura, tenha utilidade prática. Ainda bem. Nem tudo na vida precisa servir para trocar um pneu, erguer uma parede ou mapear as pessoas através de algoritmos. A razão de ser da poesia é a própria poesia e isso é naturalmente grandioso. Eu adoro ver, sentir e pensar essas coisas de pouca utilidade, desde besouros até Deus, passando pela vida, pela própria poesia.”

    “Inventário de tão pouco” sai pela editora Penalux, de Guaratinguetá-SP, com orelha assinada por D.B. Frattini, escritor e especialista em Fundamentos Estruturais da Composição Artística; prefácio de Nélio Silzantov, escritor, crítico literário e professor; e quarta capa de Mar Becker, escritora e poeta. É a primeira obra de Theo Alves publicada pela editora paulista, depois de algum tempo de paquera. “Alguns projetos quase saíram por lá, mas só agora unimos as penas. Enviei os originais para os editores, que receberam o livro com muito carinho e cuidado. Isso é fundamental para um escritor que está construindo um espaço, mesmo já estando há tanto tempo escrevendo livros”, comenta Theo.

    Em seu texto para a orelha do “Inventário”, D.B. Frattini destaca que “o poeta consegue estampar folhas delicadas de manjericão no meio de nossa caminhada apocalíptica”, e em certo trecho lhe diz: “Theo, seus poemas não são tristes, não são apenas lágrimas e sombras. Seu ‘Inventário’ nasceu clássico e celebra as perdas e os ganhos de nossas trajetórias sempre erráticas e efêmeras. Theo, quem lê sua poesia não precisa temer a crença. O autor deixa o leitor pensar em Deus e sangrar com Ele.”

    TRECHO (poema do livro):

    sob o pó

    sobre os dias
    uma camada de poeira
    tão densa
    que mal se pode ver o
    presente

    sob o pó
    todos os móveis parecem
    fantasmas
    cansados demais
    para irem embora

    SOBRE O AUTOR

    Theo G. Alves nasceu em 1980, em Natal, capital do Rio Grande do Norte, mas cresceu em Currais Novos e hoje mora em Santa Cruz, ambas cidades do interior do estado. Além de escritor, é servidor público e professor de língua portuguesa e literatura brasileira.

    Coleciona algumas premiações em concursos literários de prosa e também de poesia, entre as quais se destaca a conquista do Prêmio Nacional de Contos Ignácio de Loyola Brandão 2017, com o conto “Por que não enterramos o cão?”. Publicou os livros “Pequeno manual prático de coisas inúteis” (poesia, 2009), “A Máquina de acessar os dias (poesia, 2015), “Doce azedo amaro (poesia, 2018), “Por que não enterramos o cão? (contos, 2021), “A cartomante que adivinha o presente” (crônicas, 2021), “Caderno de anotações breves e memórias tardias” (poesia, 2021) e “Barreiro das Almas” (romance, 2022).

     

    SERVIÇO

    “Inventário de tão pouco” (poesia) está em pré-venda inicialmente com o autor, a R$ 42 reais, mais despesas de envio; e em breve estará disponível também no site da Penalux: http://www.editorapenalux.com.br/loja

    Contato com Theo Alves pelas redes sociais dele (@theo.g.alves) ou pelo e-mail prof.theoalves@gmail.com

    Telefone/Wpp para mais informações: 84 99892 7822

  • As muitas formas de uma Maria existir: conheça o livro de estreia de Iara Sydenstricker, lançamento da editora Penalux

    As muitas formas de uma Maria existir: conheça o livro de estreia de Iara Sydenstricker, lançamento da editora Penalux

     “Marias de Pedra e Mel”, livro de contos de Iara Sydenstricker, apresenta uma escrita contundente ao retratar personagens femininas em busca de libertação

    “(…) A autora aponta a dureza e a violência que recaem sobre as mulheres num mundo misógino, machista e que não oferece segurança nem garantias para nós, principalmente as das classes menos abastadas. As Marias protagonizadas não estão presas à imagem cristã das santas. Nomeadas de uma forma sagrada, são guerreiras. O olhar da narradora é uma ferramenta de ruptura, de tentativa de mudança do contexto de injustiça social.(…)” | Ninfa Parreiras (professora, escritora e psicanalista), na orelha do livro

    Quando criança, Iara se fascinou diante da beleza de um copo de vidro ensaboado e lavado por ela mesma na pia da cozinha. O momento pueril lançou a menina numa espécie de iluminação e ali ela intuiu que queria ser empregada doméstica quando crescesse. Ao compartilhar a ideia com os adultos ao redor foi desautorizada a seguir com o plano, taxado de esquisito pelos familiares. O desconforto do episódio, carregado de simbolismo, atravessa décadas, alia-se a outros sentimentos e vivências, e transborda na escrita de Iara Sydenstricker (@iarasydescritora) no arrebatador Marias de Pedra e Mel, publicado pela editora Penalux. Com 72 páginas, o livro de contos marca a estreia da autora para o grande público.

    Marias de Pedra e Mel é formado por nove contos ficcionais, curtos e enxutos. Em cada um destaca-se uma mulher, uma Maria que dá nome ao capítulo. O livro inicia com Maria da Penha e encerra com Maria de Jesus. Cada conto desenvolve uma história única, com início, meio e fim. As tramas revelam violências físicas e simbólicas, abandono, opressão e autoritarismo, mas também a força, sonhos e desejos dessas mulheres. A maternidade e a religiosidade também estão presentes na obra.

    “Relaciono a santidade das Marias católicas ao desprezo dado às Marias reais. São, porém, todas Marias, santas e profanas, a carregarem, cada uma, um terço que pode até se desfazer no caminho, mas que jamais as tornará pecadoras devido a esse rompimento. Ao contrário, mesmo desfeitos, seus terços continuam atados às suas mãos. A fé tem mil faces e a força dessas mulheres é prova disso”, declara a escritora.

    É preciso ressaltar que essas Marias habitam um mesmo universo, o cotidiano de mulheres relegadas a segundo plano. Iara, ao contrário, lhes dá protagonismo, concede palco para essas personagens desfiarem suas trajetórias e tecerem novos arranjos narrativos. Em alguma das Marias do livro as leitoras (e também os leitores)  poderão encontrar sua própria Maria.

    A obra também tem mérito pela qualidade da escrita: a composição das narrativas apresenta um repertório textual amplo e diverso, com criação de metáforas originais que colaboram para a estruturação das cenas e fluidez da trama. A sofisticação da escrita sustenta o desenrolar das histórias, contadas em poucas páginas. Cada conto reúne num breve espaço a apresentação da personagem, a problemática, e o desfecho. A costura dos enredos, com caminhos inesperados, e seus desenvolvimentos meteóricos, quebram a expectativa do leitor do início ao fim do livro.

    Iara admite a preferência pela escrita mais concisa. “Gosto de textos secos, quase áridos, mas que possam comover e levar o leitor, de alguma forma, a se tocar, a viver emoções próprias e alheias (das personagens). Quando alcanço esse objetivo, me apaziguo”, confessa.

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    Espírito do tempo: Marias e a inversão do protagonismo na narrativa contemporânea

    Marias de Pedra e Mel é singular em sua composição e escrita, ao mesmo tempo em que dialoga com obras contemporâneas. Livros de escritores como Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo e Eliane Alves Cruz também inverteram os pólos de interesse e trouxeram a periferia para o centro, concedendo a personagens e histórias invisibilizadas desde sempre a ribalta do palco principal.

    “Estava a escrever um livro sobre mulheres sofridas que, mesmo assim, seriam capazes de reescrever seus destinos, ainda que pela via do encantamento. Essas Marias encontraram uma forma de revidar, de vingar, de dar o troco e de evidenciar suas recusas à opressão”, afirma a autora.

    Seria impossível dissociar a escrita de Iara dos autores citados, e de tantos outros, como Eliane Brum, Marcelino Freire, Marina Colasanti, Octavia Butler, Toni Morrison, Ana Maria Gonçalves e Lygia Bojunga, que a escritora cita como influências diretas em sua obra.

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    Um passeio em qualquer livraria hoje evidencia o quanto essas obras e autores ocupam cada vez mais espaço nas estantes, e não somente isso, os livros são debatidos em grupos de leitura, escolas, universidades e espaços de literatura, arte e cultura, além de estarem em destaque na mídia, em jornais, revistas, programas de rádio e tvs, e canais especializados nas redes sociais. O tema fervilha e as Marias criadas por Iara também integram esse movimento.

    Arquiteta, roteirista, escritora : o cotidiano produz inspiração

    A autroa Iara Sydenstricker

    Iara Sydenstricker nasceu em São Paulo, morou 27 anos no Rio de Janeiro e vive na Bahia há duas décadas. É graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF), sendo também mestre em  Planejamento Urbana e Regional por meio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente é professora na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, na Cidade de Santo Amaro, a 80 km de Salvador. No entanto, sua experiência profissional é extensa e envolve, além da atuação como docente, trabalhos como arquiteta, roteirista e escritora.

    Nos anos 90, Iara conviveu, profissionalmente, com realidades desoladoras em favelas e áreas de risco do Rio de Janeiro. Na Bahia, como professora, vivenciou de perto o cotidiano duro e excludente de pessoas que buscam através da universidade um lugar social mais digno e justo. Essa multiplicidade de funções e experiências estão no cerne da composição das personagens criadas para Marias de Pedra e Mel.

    O processo de escrita do livro começou com o conto Maria do Socorro. “Era uma mulher ficcional mas muito próxima de algumas que conheci. Escrevi e reescrevi a história muitas vezes e em dado momento me dei conta de que havia outras Marias a pedir existência. Era preciso colocá-las no papel”, confidencia a autora. O passo seguinte, depois da obra pronta, foi compartilhar a escrita com amigas e amigos próximos, a quem ela faz referência nos agradecimentos. O processo seguiu com a escolha da Editora Penalux para publicar Marias de Pedra e Mel.

    Agora a missão da autora é dar asas para a obra pousar em outros territórios. O gesto emblemático vai costurar dois momentos da vida da escritora: o dia em que a menina foi tolhida por manifestar seu desejo de ser empregada doméstica e a estreia do livro em que a Iara, agora adulta, escreve para dignificar as vozes femininas abafadas por tempo demais.

    Confira um trecho do livro:

     “Quando menina, estupraram sua inocência, sua voz, seu desejo. Cedo entendeu que virgindade é privilégio e que a sua lhe fora negada desde o nascimento. Ficou estéril, mais um motivo para que dela abusassem sem consequências.

    Enterrou sonhos à mesma medida que seu corpo foi socado pelo uso diário do pilão e pelas pauladas que recebia. Silenciada pela máscara de ferro sobre a boca, aprendeu a não falar.

    Capinou, ensacou, plantou. Lavou, torceu, engomou e passou vestes que jamais usaria. Aferventou o caldo da cana a lhe respingar durante décadas os braços e o rosto espremido pelo horror a que foi exposta. Ainda assim, guiou-se pela crença de que em algum lugar haveria almas como a sua.

    Amou o homem que a ela ofertou a única carícia que conheceu. Ele a ensinou a esperançar a morte antes de ser assassinado no tronco. Durante anos, Maria dedicou-se a preparar sua própria cova ao lado da morada do amante. Plantou flores ao redor. Eram as duas mais lindas casas do paraíso, diziam-lhe os mortos, testemunhas dos uivos de dor que ela emitia aos finais das tardes de domingo diante do jazigo.

    Forte, dura, resistente, logrou viver muito tempo. Depois, virou montanha.(…)”

    Compre o livro via Editora Penalux:

    https://www.editorapenalux.com.br/catalogo-titulo/marias-de-pedra-e-mel

    Fonte: com.tato – curadoria de comunicação | Assessoria de imprensa da escritora Iara Sydenstricker | Jornalistas responsáveis: Karoline Lopes e Marcela Güther | Contato para atendimento: marcela@comtato.co ou (47) 9.9712-5394 (Whatsapp)

  • Lançamento do livro “Marias de pedra e mel”

    Lançamento do livro “Marias de pedra e mel”

    No começo de abril, dia 04, no Rio de Janeiro, teremos o lançamento do livro “Marias de pedra e mel”, coletânea de contos da autora Iara Sydenstricker. Quem estiver por perto não perca a oportunidade.

    Mais informações no flyer abaixo.

  • Autores da Penalux são destaque em Genebra

    Autores da Penalux são destaque em Genebra

    Desde 2016, a Helvetia Editions, editora suiço-brasileira, realiza o prêmio Talentos Helvéticos Brasileiros. A entrega é feita na cidade de Genebra, na Suíça. Considerado um evento literário de grande representatividade no país e também na Europa, o evento recebe cerca de 100 mil visitantes. A missão do prêmio é trazer a público obras que se destacaram no cenário cultural do Brasil e da Suíça, além de promover um intercâmbio cultural e reconhecer autores independentes.

    A autora Leidiane Holmedal recebendo a premiação

    Na VII edição do Prêmio, dois autores da Penalux obtiveram destaque: Leidiane Holmedal (@ledasbueno), autora do livro “As 79 luas de Júpiter (obra escrita em parceria com a autora Lucila Eliazar Neves ), e Raphael Magalhães Hoed (@raphaelhoed), autor do romance “Caverna dos Anjos”.

    Raphael Magalhães Hoed, um dos premiados do evento, autografando seu livro

    A escolha das obras indicadas pelo corpo de jurados baseou-se em cinco critérios: originalidade, ineditismo, desenvolvimento, criatividade e linguagem utilizada.

    Parabéns aos dois autores.

    A equipe da Penalux agradece por terem levado o nome do nosso país e também da editora a um lugar de destaque fora de nossas fronteiras.

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